Onde tudo começou….

Tudo começou em 1957, numa cidade no interior de SP quando dona Olga (minha mãe) nasceu. Quando pequena, mudou-se para o interior do Paraná, junto com meus avós, e cresceu em uma cidade pequena – mas pequena mesmo, daquelas em que você consegue se orientar usando apenas a tal “Rua principal” ou a “Igreja matriz”.

Durante a infância dela ela teve pouco, ou quase nenhum, contato com piscinas ou com o mar e isso criou nela um certo medo de água, não um medo de qualquer tipo de água (banhos ainda estavam dentro das atividades preferidas dela), mas medo de nadar e de entrar em águas um pouco mais profundas ou agitadas.

Poxa, mas o que isso tem a ver com você ter começado a nadar? Tudo a ver!

Esse medo dela fez com que ela tomasse uma decisão muito importante na vida dela (e consequentemente na minha vida). Ela decidiu que nenhum filho dela passaria por algo assim, nenhum filho dela teria medo de dar um mergulho e se refrescar numa piscina ou de tomar um banho de cachoeira em um rio.

E em 1987, quando eu nasci, ela garantiu que aquela decisão valesse de verdade. Antes mesmo de eu conseguir andar, eu passava horas do meu dia brincando em piscinas e banheiras.

Olha eu aí aprendendo a nadar (Com a Dona Olga sempre me apoiando)

Olha eu aí aprendendo a nadar (Com a Dona Olga sempre me apoiando)

Quando ela me matriculou em uma escolinha, ainda no jardim, ela fez questão de me matricular em uma escola com aulas de natação. Com 2 anos de idade eu estava aprendendo a escrever, me limpar sozinho e a nadar.

Me lembro de ouvir essa história pela primeira vez com uns 12-13 anos quando fui selecionado em uma peneira para fazer parte da equipe de natação do meu clube (AABB). Na época eu não dei muita atenção ao significado dela, especialmente naquele momento em que eu estava bem empolgado.

Uma coisa que eu não percebi foi que minha mãe acabou me ensinando uma lição, uma que veio em forma de história, uma que eu só fui entender depois que já tinha parado de competir profissionalmente. Para mim a principal lição dessa história é que não podemos deixar os nossos medos nos imobilizar, e que todo medo pode ser vencido e transformado em algo bom.

Falando em superar medos, hoje em dia minha mãe superou a maior parte da sua fobia e já entra em piscinas e no mar. Acho que ver os filhos dela nadando por ai deu pra ela a confiança para se aventurar na água.