Um dia de sol com uma paisagem exuberante e o mar convidativo para dar algumas braçadas. Quem sabe nadar logo pensa: se eu consigo na piscina, aqui vai ser fácil. Será? Quem já participou de algumas provas de águas abertas sabe que, na prática, a associação não é tão simples quanto parece. A princípio, nadar no mar até parece mais tranquilo, já que o corpo flutua melhor devido a água salgada. Mas uma série de cuidados antes e durante a prova, mudança de técnica de nado e um treinamento diferenciado torna a tarefa para um nadador de piscinas muito mais complexa. Veja abaixo as principais diferenças entre a piscina e águas abertas:

  • Técnica de nado 

Sabe todas as instruções que você recebeu para ter uma técnica de nado impecável na piscina? Pois é. Esquece tudo!  A diferença no estilo do nado entre os atletas de piscina e os de águas abertas é gritante. Apesar de o intuito ser o mesmo — mover-se na água de forma rápida e eficiente — diante de uma análise mais profunda parecem esportes diferentes. Neste sentido listo as principais diferenças entre os nados:

Braçada 

Ao contrário do nado na piscina, a recuperação da braçada do nado livre em águas abertas deve ser realizada com o braço estendido. Caso contrário, a recuperação da braçada com o cotovelo alto irá dificultar para o atleta nadar contra marolas e ondas, além de sobrecarregar a região dos ombros durante a prova.

Quanto melhor for sua técnica na água, menor será o seu gasto energético (Imagem: Divulgação)

Pernada

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Na natação em águas abertas o movimento de pernas não tem a função de propulsão, como na modalidade de piscina. Por outro lado, mesmo que praticada em baixa cadência, a pernada tem um papel importante em relação à flutuação e ao equilíbrio durante o nado, ajudando a manter o corpo em uma posição mais hidrodinâmica. Enquanto na piscina, um atleta deve seguir a cadência 6 x 1 (seis batidas de perna a cada braçada), em águas abertas a técnica muda completamente: cadência 1 x 1 (uma batida de perna a cada braçada).

Nas águas abertas, uma batida de perna acompanha cada braçada (Imagem: Divulgação)

Nas águas abertas, uma batida de perna acompanha cada braçada (Imagem: Divulgação)

Posição da cabeça

Na piscina, manter um alinhamento cervical, com os olhos direcionados para o fundo da piscina, proporciona uma maior velocidade de nado. Nas águas abertas, a posição da cabeça é mais alta e existe uma constante elevação da mesma para o nadador se localizar durante uma disputa de prova. A maneira mais fácil para realizar o movimento é executá-lo antes de realizar a respiração lateral. Respirar com a cabeça para a frente não é sugerida, uma vez que requer mais energia para fazer o movimento, além de deixar o nado mais lento.  A dica é olhar para frente a cada 10 braçadas.

Os nadadores de águas abertas olham para frente constantemente para se localizarem na piscina (Imagem: Divulgação)

Rolamento

Nas provas de águas correntes ou com ondas, o rolamento do corpo deve ser evitado. Rolamento quando executado em provas com muitas ondas ou correntes faz com que o nadador perca a estabilidade do nado e até a direção. Já na piscina, o movimento é essencial para que o nadador tenha velocidade de nado.

O rolamento em disputas de provas deve ser evitado (Imagem: Divulgação)

O rolamento em disputas de provas deve ser evitado (Imagem: Divulgação)

  • Treinamento
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Quem quer se aventurar na natação em mar aberto deve se focar em treinamentos de aeróbico e resistência. Além disso, a primeira dica é começar a treinar na piscina nadando de olhos fechados. Assim, você se acostuma a nadar em linha reta mesmo sem conseguir ver para onde está indo.

Outro conselho importante é respirar para os dois lados. Na piscina, a maioria das pessoas têm facilidade para respirar apenas por um lado enquanto nada, mas em águas abertas é recomendado a respiração  3×1 (três braçadas para cada respiração, alternando os lados).

O preparamento em piscina para competir em um mar aberto é bem distinto de um treino rotineiro (Imagem: Divulgação)

O preparamento  para competir em um mar aberto é bem distinto de um treino rotineiro na piscina (Imagem: Divulgação)

É preciso ainda lembrar que no mar não dá pra colocar o pé no chão ou se segurar na borda da piscina para descansar nem fazer as viradas para ganhar impulso, e, além disso, as ondas, correnteza e vento tornam o esforço muito maior. Por isso, se você pretende nadar um quilômetro no mar, por exemplo, a dica é se preparar nadando pelo menos o dobro, dois quilômetros, na piscina.

  • Cuidados 

Antes de participar de uma prova de travessia marítima é preciso fazer um reconhecimento do local. Também é aconselhado o uso de um óculos de natação escuro ou espelhado para evitar que o sol estrague o percurso.

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Lembre-se, ao contrário da piscina, um nadador de águas abertas deve se hidratar antes e durante a prova. O sal do mar tende a desidratar com mais intensidade os atletas que realizam travessias do que aqueles que competem em piscina.

Por fim, não se esqueça do protetor solar!