O mês era novembro de 2006, em uma das cidades com o clima mais seco (e abafado) do Centro-Oeste brasileiro: Goiânia. Há quase exatos 10 anos eu aprendi uma lição que até hoje as cenas vêm a minha cabeça quando fracasso em alguma coisa. Na época, tinha lá os meus 14/15 anos e, até então, a vida não tinha me ensinado algo tão memorável.

A prova era os 400 medley. As eliminatórias aconteciam durante a noite e as finais pela manhã. Como a disputa era acirrada, eu não me poupei no dia da classificação. Melhorei oito segundos do meu melhor tempo e me balizei na Raia 4 para disputar a medalha de ouro no dia seguinte. Em julho do mesmo ano eu havia acabado de superar o recorde de campeonato do ‘Campeonato Paulista’. As expectativas sobre mim eram altas. E mais: se eu ganhasse a prova, estaria disputando uma vaga na seleção brasileira de natação.

No entanto, a pressão de ter me classificado com o melhor tempo da série me venceu. Não dormi a noite (no dia anterior a final), acordei com dores pelo corpo inteiro, não consegui tomar o café da manhã sem me sentir enjoada e o aquecimento tinha sido um desastre.

Cai para a disputa da prova já com um ar de derrotada. E o resultado não podia ter sido diferente: ao dar as duas primeiras braçadas do borboleta, estilo que normalmente decidia as minhas provas de medley, ‘travei’. Ou melhor dizendo, me entreguei para o fracasso.

Bom, o resto não preciso nem comentar. As meninas da raia 3, 5 e 6 abriram uma distância de mais de um corpo de mim. Eu terminei a prova em sétimo lugar, derrotada e humilhada. O meu técnico, na época, não poupou suas críticas e a derrota me desmotivou. Desperdicei as demais chances de medalhas durante o campeonato e por um bom tempo fui sem propósito para os treinos.

E como eu superei? Encarei aquela derrota como um aprendizado. Pode parecer clichê, mas para evoluir é preciso errar. Hoje, adoto diferentes tipos de estratégias para me concentrar antes de uma prova. E aprendi isso depois de errar nesse Campeonato Brasileiro, em 2006. Das piores lições vêm os melhores aprendizados. É só querer melhorar e aceitar críticas para atingir a grandeza.