Temperatura da água, ventos fortes, tábua da maré e corrente da água: esses são alguns dos pontos que um nadador de águas abertas deve se preocupar toda vez que vai encarar um desafio de 1km, 5km, 10km (ou mais) no mar. Para o atleta Marcos Campos, tricampeão e atual recordista da 14 Bis, uma das maratonas aquáticas mais tradicionais do Brasil, “quanto mais calma e mais curtida for a prova, melhor vai ser a sensação”.

No próximo sábado, dia 18, o nadador é o único a representar o Brasil nos Estados Unidos no principal objetivo da temporada: completar a prova da Volta na Ilha de Key West, na Flórida, a nado. O percurso de aproximadamente 20 km passa por dois mares diferentes, o Golfo do México e o Oceano Atlântico. E mesmo com a sua vasta experiência em maratonas, o nadador fala sobre os seus principais desafios para a competição.

“Temperatura muito alta da água, acima dos 28 graus, ambiente acima dos 36 graus, mudança repentina de tempo, ventos fortes e mar ‘picado’. Lá tem a fama de fechar o tempo de uma hora para outra, com fortes rajadas de vento”, explica o nadador de 32 anos. “A correria está grande. Estou treinando há duas semanas direto, sem folga. São 7km pela manhã, de segunda a sexta, com duas dobras semanais de 3km a tarde, 10km aos sábados e de 3 a 4km no domingo”, completa quando questionado sobre a preparação para encarar a prova.

Para dar a volta completa na ilha norte-americana, são aproximadamente quatro horas nadando. E para superar o tempo de seu técnico (3h41min44), Samir Barel, vice-campeão da prova em 2013, Marcos comenta como pretende se superar dentro da água: “Será uma prova com várias horas nadando. E esse tempo fica muito vulnerável as variações de clima e maré. Tudo vai depender do dia”.

Depois de Key West, o nadador vai se focar nos treinamentos para realizar um sonho antigo: conseguir dar a volta em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, a nado. “Isso já está em planejamento e acredito que em breve teremos novidades. Mas vai demandar tempo e muita estrutura devido ao tamanho e dificuldades do percurso”, finaliza.

Preparação para águas abertas

Quem já participou de algumas provas de águas abertas sabe que, na prática, a associação entre o treinamento para o mar e a piscina não é tão simples quanto parece. E para ajudar nessa preparação, o nadador dá as dicas: “Primeiramente, o atleta precisa de um acompanhamento profissional. Sentar, planejar e ver toda a periodização necessária para alcançar o objetivo”, fala.

E para aqueles que desejam participar da modalidade, mas não moram em cidades litorâneas, não precisam se preocupar! Marcos acredita que treinar em piscina para uma maratona é a melhor opção para que o atleta possa ter controle de tempo, passagem e sensibilidade de prova.

“Ficar apenas ‘rodando’ em águas abertas não vai ter o mesmo efeito de um treino bem feito e planejado na piscina”, diz. O que precisa ser feito é sempre ter um contato com aguas abertas, rodar um treino longo em um mar ou lago para poder perceber as diferenças de sensibilidade, de flutuação, navegação etc. Mas não necessariamente treinar todos os dias nessa condição”, completa.

Todas as imagens: Aline Bassi/Balaio de Ideias