Quem assistiu e vivenciou as emoções da natação no Rio 2016 sabe que esta edição foi especial por diversos motivos. Além de ter sido os últimos Jogos Olímpicos que o lendário Michael Phelps participou,  novas revelações no esporte mostram que a natação feminina e masculina internacional está em um novo patamar: nomes com o da norte-americana Kate Ledecky e da húngara Katinka Hozzsù deram um verdadeiro show na piscina ao estabelecerem novos recordes mundias. O britânico Adam Peaty se mostrou insuperável  a cada vez que pulava na água para disputar o 100 metros peito e nadava a prova abaixo dos 58 segundos. Não podemos esquecer também do nadador de singapura Joseph Schooling que venceu o grande e favorito da prova Michael Phelps na final dos 100 borboleta. Foi definitivamente um show de emoções!

Abaixo selecionamos os melhores (e também piores) momentos da natação nas Olimpíadas!

Não precisa ganhar um ouro para provar que todo o esforço valeu a pena

A síria Yusra Mardini disputou duas provas da natação nos Jogos do Rio. Foi 41.ª colocada nos 100m borboleta e 45.ª nos 100m livre. Mesmo assim, deixa a Olimpíada com o mesmo status de quando começou: o de heroína.

Há um ano, ela foi notícia no mundo todo quando ajudou a salvar 18 refugiados que tentavam cruzar o Mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia, em um bote. O motor parou no meio da travessia, e apenas ela, a irmã e mais três pessoas sabiam nadar. Todos empurraram o barco até terra firme.

Yursa representou o time de refugiados nos Jogos Olímpicos 2016. Apesar do desempenho fraco nas piscinas do Estádio Aquático, o que já era esperado, ela pretende voltar ainda mais forte para nadar na Olimpíada de Tóquio, em 2020.

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A mente controla completamente os seus resultados dentro da piscina 

O espanhol Miguel Duran tinha condições suficientes para disputar a semi final dos 400 metros livre. Mas um barulho na arquibancada o distraiu e “queimou” a largada.

Pelas regras da Federação Internacional de Natação (FINA), o atleta que queima a largada na natação é desclassificado da prova. Mas o inusitado aconteceu! Pouco depois de deixar a área reservada aos atletas, Miguel foi chamado de volta pela arbitragem (que considerou que ele não queimou) para disputar a prova.

Com o psicólogo completamente abalado, Miguel ficou na 37º colocação com o tempo de 3m53s40 – o norte-americano Conor Dwyer, que fez o melhor tempo, nadou para 3m43s42.

Kate Ledecky e Katinka Hozzsù provam que a natação feminina evoluiu (e muito)

Juntas, as duas ganharam sete medalhas de ouro, duas de prata e estabeleceram, respectivamente, os recordes dos 800 livre e 400 livre, e dos  400 medley. Precisa falar mais alguma coisa?

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A estratégia do nadador chinês Sun Yang de nadar a prova dos 400 livre em parcial negativa falhou 

Não se pode negar a grandeza, técnica incontestável e presença dentro da piscina do nadador Sun Yang nas provas de 400 livre e 1500 livre. O seu final de prova então…é de se invejar! Se por um acaso um nadador deixa para definir a prova lado a lado com o nadador nos últimos 100 metros…pode esquecer! A parcial de volta do chinês é incontestável.

MAS nesta Olimpíadas o jogo virou! O australiano Mack Horton não deixou barato para Yang. Liderando a prova do começo ao fim com uma boa distância, Mack levou o ouro! Por mais que o chinês nadou para diminuir a diferença da distância nos últimos 100 metros, Mack usou sua experiência e raça para bater em primeiro e garantir o ouro. Lição aprendida? Nadar negativo em provas com os tempos dos competidores equilibrados definitivamente não é a melhor estratégia. Não tenha medo de se arriscar desde o começo da prova!

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Fenômeno Adam Peaty 

Não foi uma vez…foram duas! O nadador britânico conseguiu estabelecer o recorde mundial dos 100 metros peito duas vezes nas Olimpíadas: na eliminatória e na final. O tempo? Abaixo dos 58 segundos. O que dizer? Força, determinação e, principalmente, foco determinam 90% da sua prova.

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“Vencedores focam em ganhar. Perdedores focam nos vencedores”

A imagem abaixo viralizou nas redes sociais. Na final dos 200 metros borboleta, o nadador sul-africano Chad Le Clos olhou descaradamente para Michael Phelps durante a prova. A frase acima já justifica o nosso sentimento…não é preciso dizer mais nada.

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1° medalha de ouro de uma nadadora negra

Se o Rio 2016 marcou a aposentadoria de Michael Phelps, também fez história por outra fato: a norte-americana Simone Manuel se consagrou como a primeira nadadora negra a ganhar uma medalha de ouro olímpico na prova dos 100 metros livre. Por que isso é importante?

As piscinas são há muito tempo um ponto especialmente sensível da questão racial nos Estados Unidos.

Afro-americanos não podiam entrar nelas quando a segregação ainda era praticada, e, mesmo depois de ela ser abolida, brancos encontraram outras formas de mantê-los excluídos.

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Casos de testes de doping positivo ainda “assombram” a natação 

Após o massivo escândalo de doping russo, os casos de testes positivos para os exames não ficaram de fora dos Jogos Olímpicos do Rio. Na natação, a chinesa Chen Xinyi (que chegou a nadar os 100 borboleta e ficou em quarto lugar e foi desclassificada) e a russa Iulia Efimova testaram positivo no exame de doping.

Mas ao contrário da chinesa, Iulia foi liberada para nadar e conquistou a prata (sob vaia da torcida) nos 100 metros peito. A russa conseguiu competir no Rio graças a uma decisão da CAS (Corte Arbitral do Esporte), instância máxima da Justiça Desportiva – um ponto a menos para o esporte.

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Nunca desista dos seus sonhos 

Em 2008, Joseph Schooling, um menino de 13 anos apaixonado pela natação, conhecia o seu herói. Ele chamava-se Michael Phelps e era um gigante sorridente, que semanas depois arrecadaria oito medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim, ao pé do rapazinho de óculos de ar ligeiramente atordoado na fotografia que tiraram juntos.

Em 2016 e os dois voltaram a estar lado a lado numa fotografia: a do pódio olímpico, no qual Joseph Schooling subiu mais alto do que o seu herói. O atleta de 21 anos recebeu o ouro, o primeiro da história para Singapura, nos 100m borboleta e bateu Phelps, que se ficou pela prata na última prova individual da sua carreira. Baita inspiração!

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Resultados brasileiros (Por Stefano Balian)

Existia uma grande expectativa em relação a natação brasileira. Foram investidos mais de 122 milhões de reais na preparação da seleção, o maior valor já investido no esporte. E o resultado? Nenhuma medalha, o que não acontecia desde Atenas, 2004.

Tivemos sim, pontos positivos: alcançamos o maior número de finais em Olimpíadas, com 8. Tivemos a volta de uma nadadora brasileira em uma final. A classificação do revezamento 4×100 medley para uma final pela primeira vez. Mesmo assim, muito pouco para o tamanho do investimento feito.

A natação brasileira precisa repensar completamente seu planejamento. Claro que os atletas tem sua parcela de culpa, mas é muito fácil jogar tudo nas costas deles. O problema começa de cima. Dinheiro traz resultado? Não necessariamente. A aplicação correta e inteligente do dinheiro, sim. Não adianta gastar 10 mil dólares em um óculos que em teoria vai te manter mais acordado a noite, se os atletas não tiveram um acompanhamento psicológico adequado, por exemplo.

Me expliquem, como um nadador americano de 18 anos, universitário, consegue ganhar TRÊS medalhas de ouro e bater um recorde mundial, enquanto os brasileiros em suas terceirizas olimpíadas, com 30 anos nas costas, não conseguem nem repetir seus melhores tempos do ano? Não tenho as respostas, mas fica claro que todo o processo precisa ser revisto.

Somos amantes da natação, queremos que o nosso esporte cresça. Torcemos demais por todos os brasileiros que competiram. Sofremos e vibramos com eles. Mas ficamos muito decepcionados, e não pela falta de medalhas, mas sim pela enorme quantidade de atletas piorando suas marcas no momento que deveriam ter feito o melhor de suas vidas. Algo está errado.

De qualquer forma, parabéns a Etiene e Manuela, que fizeram os melhores tempos de suas vidas. Parabéns também ao Thiago Pereira, que foi valente Ele apostou alto, o ouro, ou nada. Infelizmente não deu, mas sua coragem de ir para cima do maior nadador de todos os tempos precisa ser reconhecida.

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