Para quem está acompanhando a natação nos Jogos Olímpicos não pode deixar de notar a modernidade do sistema de cronometragem do Rio 2016. Desde as balizas com sensores que marcam o tempo da reação de saída dos atletas até os sofisticados placares eletrônicos, hoje, é quase impossível duvidar de um resultado final de um nadador e até mesmo da desclassificação de um atleta de determinada prova. Mas será que sempre foi assim? Infelizmente, não! Existem resultados emblemáticos na natação que até hoje são questionados por delegações e atletas que se sentiram injustiçados depois do pedido de revisão de resultados de mundias, Olimpíadas e até mesmo em campeonatos estaduais.

O bom (ou ruim) dessa história toda é que hoje o olho humano é quase nulo no quesito da cronometragem. 98% dos resultados finais de um nadador são garantidos pela tecnologia de alta ponta criada pela marca suíça Omega para as piscinas e demais esportes! Vamos fazer um passeio pela história? Confira a seguir:

1932: Nasce o legado

O ano  de  1932  foi definitivo na história da marcação do  tempo em todos os esportes olímpicos. Pela primeira  vez, foi confiada a uma única  empresa privada a tarefa de  marcar  o tempo  de  todas as provas  nos Jogos Olímpicos.  Tal honra foi concedida à Omega, que forneceu  um cronometrista e 30 cronógrafos de alta  precisão, todos  certificados como cronômetros pelo Observatório de Neuchâtel. Nesta  primeira ocasião  como   Cronometrista  Oficial  dos  Jogos   Olímpicos,  a Omega  foi  capaz de   registrar resultados próximos a um décimo  de segundo. O requinte  da marca agradou as autoridades em Los Angeles  e também mostrou ter valor inestimável na confirmação de 17 novos Recordes  Mundiais.

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1948: Todos os olhos voltados para Londres

Quando  os  Jogos   Olímpicos  chegaram a  Londres  em  1948,   uma  das  maiores   inovações  em cronometragem foi revelada.  A primeira  câmera photofinish,  vulgo “Olho Mágico”,  foi introduzida pela   Omega  e  possibilitou aos  cronometristas determinar a  posição exata dos  atletas quando cruzavam a linha de chegada. Desenvolvida pela  British Race Finish Recording  Company, a câmera era  capaz de  detectar diferenças que  determinam uma medalha de  ouro ou de  prata com maior precisão do  que  qualquer tecnologia já vista.  Rapidamente, a disputa pelo  ranking  mundial foi se tornando mais acirrada e as  máquinas começaram a superar  as capacidades do  olho humano.  O “Olho Mágico”  foi imediatamente posto  à prova  na final histórica dos 100 metros rasos em que dois americanos, Harrison Dillard e Barney Ewell, lutaram bravamente pela  vitória em uma corrida com uma chegada  emocionante. Os  dois  atletas terminaram com  o  tempo   de  10.3  segundos. Após analisar a imagem,  os juízes chegaram à conclusão de  que  Dillard  era  o vencedor, e ele  levou a medalha.

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1960: Reflexão gera inovação

Um resultado controverso, em 1960,  nos Jogos  Olímpicos  de  Roma  acabou levando a uma  outra grande inovação na piscina:  as  almofadas de  toque  (touch  pads). Os  Jogos  Olímpicos de  1960 foram   os  últimos  cronometrados pela  Omega   em  que   o  resultado  oficial  ainda  dependia principalmente do  olho  humano.  Este  método se  mostrou  problemático na final dos  100  m livre masculino quando a decisão dos juízes sobre o vencedor foi divergente. A medalha de ouro acabou indo  para o  australiano John  Devitt,  enquanto o  estadunidense Lance  Larson  teria injustamente ficado  com o segundo lugar. Em resposta a esse problema, a Omega desenvolveu as almofadas de toque  (touch  pads)  automáticas para permitir que  os nadadores  parassem  o cronômetro com  as próprias   mãos.  Criadas em  Bienne,  elas  surgiram  pela   primeira  vez  em  1967   nos  Jogos   Pan- Americanos  de Winnipeg e, desde então, têm sido utilizadas com êxito nos Jogos Olímpicos.

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1984: Um verdadeiro teste para falsa largada

Os Jogos  Olímpicos de  Los Angeles  em 1984  foram marcantes devido  ao  memorável  desempenho de certos  atletas, dentre eles o estadunidense Carl Lewis, que ganhou 4 medalhas de ouro. Fora da pista,  a Omega  estava fazendo progresso em cronometragem ao  introduzir o primeiro dispositivo de detecção de falsa largada. O equipamento era extremamente sensível e funcionava por meio da medição da pressão que  os corredores exerciam  sobre  o bloco  de  partida.  Se a pressão exercida pela  perna do  atleta ao lançar-se para frente  fosse maior que  29 Kg (27Kg para as  mulheres), o tempo  de  reação dele  era  acionado. Com um tempo  de  reação permitido  de  0.100  segundos, a Omega era agora capaz de detectar a falsa largada mais sutil. Posteriormente, o sistema foi evoluído para os blocos de saída na natação.

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2012-2016: A confiável cronometragem de hoje em dia

Olhando  para  os  Jogos  Olímpicos  hoje  em  dia,  fica fácil  perceber que  a  cronometragem  da Omega evoluiu  para um  sistema  altamente  sofisticado que  não   deixa   dúvida  sobre   nenhum resultado. Em Londres 2012,  a Omega introduziu três novos equipamentos “futurísticos”: blocos  de partida  para  velocistas   e   corredores  de   curta   distância;  o   inovador    Swimming   Show,   que instantaneamente classifica  os  três  primeiros  colocados na piscina;  e  o  Quantum-Timer  de  alta precisão,  utilizado  no  atletismo  e  em  esportes aquáticos,  que  apresenta  uma resolução de  um milionésimo de  segundo. Além disso, há muitos outros dispositivos sendo  utilizados, como a “pistola de  partida”  eletrônica com  seu  vermelho  vivo, e  a câmera Omega  Scan‘O’Vision  MYRIA  que captura 10.000 quadros por segundo.

 Como é feita a cronometragem na natação?

Desde o primeiro momento  de uma prova de natação, o sistema garante precisão absoluta para cronometrar a prova.  Com  alto-falantes integrados aos blocos  de  partida,  cada  competidor ouve  o sinal de partida exatamente ao  mesmo tempo.  Quando o sinal é dado, sensores  especiais medem  o tempo de  reação dos  nadadores  para  mergulharem  na  água.  Enquanto fazem   um esforço  final  para alcançarem a vitória, o tempo  final é então registrado pelas  almofadas de toque  imersas no fim de cada raia.

Uma força de 1,5 -2,5 Kg é o suficiente para parar o relógio imediatamente. Se não houver contato com a almofada de toque  ou se o contato for muito fraco,  os cronometristas utilizarão  uma câmera de  alta velocidade,  que  registra  e envia 100  imagens  por segundo, como  um sistema auxiliar para fornecer imagens  e permitir a confirmação do resultado.

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Cronometragem aprimorada na natação no Rio 2016

Os placares de  alta-resolução que estão sendo utilizados  no Rio de  Janeiro  foram recriados e são  agora operados por um novo software  que  permite  exibir não  somente  textos  e informações ao vivo, mas também animações, fotos  de  atletas e  vídeos.  Utilizando  efeitos  modernos,  nomes,  resultados e bandeira da nação dos vencedores podem ser exibidos  de  forma bem  nítida,  contribuindo  para o drama, animação e  emoção de  cada prova.

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