Neste sábado (8), é comemorado em todo o Brasil o Dia da Natação. Mais do que contar a história do esporte, ou ressaltar os benefícios da atividade para a saúde, o Raia Oito decidiu perguntar para nadadores e ex-nadadores o que a natação mudou em suas vidas.

E para você? O que o esporte trouxe de diferente para seu aprendizado e rotina? Conte para a gente nos comentários. Feliz Dia da Natação!

Nadadores

Marien Arndt, 33 anos – nadadora da equipe Master do Clube Paineiras do Morumby

“A natação entrou em minha vida quando eu tinha 11 anos. Eu já jogava vôlei, mas queria ir para a natação porque muitos amigos tinham ido. Comecei a nadar, a treinar, a me destacar e me motivar cada vez mais. Tínhamos um grupo muito grande de atletas e até hoje mantemos contato diariamente. Além de muita responsabilidade, foco e dedicação, o esperto me deu os meus melhores amigos, os “Maikys” – nome do grupo de WhatsApp. A natação me fez uma pessoa extremamente perseverante, sempre em busca do meu melhor, tanto no esporte quanto na vida”.

Lisa Woytowicz, 25 anos – nadadora do Catadão da USP

“A natação me mostrou o que significa fazer parte de um time, ser altruísta. Quer dizer, me fez uma pessoa mais forte, tanto literal quanto figurativamente”.

Victória Soto, 22 anos – nadadora do Catadão da USP

“2010. A que eu pensava que seria a minha última competição. Última chance de fazer o melhor tempo da vida. Quebrar aquela barreira que me incomodava há anos. Dei o meu melhor. Não deu. A barreira continuava lá, a 04 centésimos de distância. E a medalha de bronze ficou a 06 centésimos. E assim a natação me ensinou a dar o meu melhor independente das suas chances, assim como me ensinou a aceitar as derrotas e a trabalhar nelas. Me ensinou a ser grata pelo processo, pela dor no fim do treino, compartilhada pelos companheiros de equipe, pelos técnicos. Me ensinou, acima de tudo, que não existe esporte individual e que a água pode ser a sua melhor amiga, a sua parceira durante toda uma vida”.

 

Ex-nadadores

Mariana Brochado, 32 anos – ex-atleta olímpica do Flamengo

“Na verdade, a natação só me trouxe coisas boas, não consigo pensar em algo que não tenha sido, de repente apenas algumas poucas lesões que tive ao longo da carreira e uma escoliose de duas décadas respirando praticamente apenas para o lado direito.
“Foram 20 anos de crescimento como pessoa e atleta, uma busca diária em evoluir, ser mais rápida a cada braçada, a cada queda na água. Princípios e valores que aprendi ao longo de todos esses anos e que levo para o resto da minha vida. Amizades, histórias, momentos, de felicidade e de tristeza, superação, dedicação, dores, satisfação por fazer um tempo na competição, por fazer uma média expressiva em séries no treinamento. Treinadores que foram muito mais do que técnicos, foram amigos, conselheiros, ouvintes, quase um segundo pai.
“Uma modalidade que, muitas vezes é ingrata, quase que totalmente solitária, em que vivemos num mundo a parte, no mundo agua, uma terapia apesar de ter sido meu trabalho por tantos anos. Uma modalidade que me formou como ser humano, que me proporcionou conhecer o mundo, culturas, pessoas incríveis, de ser uma atleta profissional, de viver do esporte. Me ensinou a respeitar meu adversário, a trabalhar o meu corpo sempre no limite, me ensinou o significado de superação.

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“Natação, uma palavra que para muitos não significa muita coisa, mas que, para mim, significa uma vida e a ter um sentimento de gratidão por tudo que vivi em 20 anos de carreira”.

Luiza Padovam Vieira, 24 anos  – ex-atleta dos clubes Guarani Futebol Clube, APANI Semi-Itu, Esporte Clube Pinheiros e University of Nevada, Reno

“Aos cinco anos de idade, a natação chegou na minha vida como forma de sobrevivência, de melhora de coordenação e raciocínio. Aos sete, ela aguçou o meu gosto por competir. Aos nove, ela me presenteou com a derrota, revelando a importância de se levantar depois de cair e de respeitar os nossos adversários. A partir dos 10, a natação me levou na mala para novos destinos pelo o Brasil afora, trazendo com isso o conhecimento de novas culturas e a construção de novas amizades. Aos 15, me deu o sabor de ser a melhor do país na minha categoria, na prova em que nado, levando os meus sonhos para outros degraus. Com o esporte tive a oportunidade de ir morar em outro país, aprender uma nova língua, e obter uma educação de qualidade. Fazer parte de um time universitário me mostrou que sonhos e objetivos se tornam palpáveis quando o sonho de um se torna o sonho de todos; que alçamos voos mais altos quando nos rodeamos de pessoas que nos dão confiança e coragem para enfrentarmos nossos desafios.  A natação me tornou capaz de auto refletir, de planejar, esperar e agir; ela me mostrou o poder da resiliência, da tenacidade, e a importância do comprometimento. Hoje, aposentada, a água é o meu retiro; é onde eu busco equilíbrio, respostas, e risadas, muitas risadas”.

Ana Beatriz Del Cistia – 24 anos, ex-atleta do Clube Paineiras do Morumby

“Crescer sendo atleta de natação me trouxe mais maturidade. Aprendi desde sempre que faltar em um treino prejudica apenas você e o seu resultado, o seu esforço em cada treino reflete no tempo no dia da competição. Natação é um esporte cruel. Saímos dos treinos chorando, xingando, com dor e, no dia seguinte, voltamos com mais vontade dessa sensação horrorosa e, ao mesmo tempo, maravilhosa”.

Juliana Kagami, 24 anos – ex-atleta do APEA Prudentina, Esporte Clube Corinthians, SESI, Flamengo, Missouri State University e St Francis College

“É difícil até de explicar o quanto o esporte mudou a minha vida. Porém, das coisas mais importantes que a natação me trouxe, acredito ter sido a grandeza em meus sonhos e a exposição às pessoas diferentes de mim.

“Nascida no interior, em família de classe média, viajar ao exterior era o tipo de coisa que eu talvez fizesse algumas poucas vezes na vida. Acredito que com muito empenho, eu talvez tivesse cursado uma faculdade pública e, com muito esforço, teria juntado uma graninha para fazer as tão sonhadas viagens ao exterior. Mas vivendo a minha realidade, eu não sei se viver e estudar nos Estados Unidos teriam sequer passado pela minha cabeça… Acredito que não, pois financeiramente, isso não seria possível.

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“No entanto, conforme eu nadava e os anos se passavam, eu comecei a enxergar no esporte a possibilidade em fazer isso tudo acontecer – foi aí que comecei a sonhar mais alto! Com muito esforço, consegui uma bolsa atleta no exterior e, hoje, falo inglês fluente e sou graduada por uma faculdade americana; conheci lugares incríveis ao redor dos Estados Unidos, pessoas de todo quanto é lugar do mundo, e viajei… ahhhh como viajei! Fui à França, Alemanha, Noruega, estudei espanhol por um mês na Espanha (com tudo pago pela bolsa da faculdade!!!) e, depois, com o  emprego que consegui com minha formação, fui à Finlândia, Islândia e até vim para o Brasil! <3 E foi só por causa do esporte que eu consegui vencer as barreiras da realidade em que eu nasci e viver todos esses sonhos! E por tudo isso, sou eternamente grata à natação!

“Foi também graças ao esporte que eu tive o privilégio de encontrar pessoas de todas as classes econômicas, grupos sociais e de culturas de países diferentes, o que me engrandeceu de uma forma imensurável e me despiu de muitos preconceitos que acabamos adquirindo da sociedade, de uma forma geral. E isso tudo é maravilhoso, não é? Ainda mais neste momento em que ouvimos sobre tantos desastres acontecendo ao redor do mundo sendo originados de preconceitos.

“Aliás, hoje, um dos meus sonhos é justamente este: o de ajudar a lutar pelo desenvolvimento social e pela paz mundial através do esporte, pois acredito firmemente que o esporte é um dos meios de se chegar lá! O desenvolvimento social a gente faz acontecer um a um, engrandecendo os sonhos de cada criança e possibilitando o desenvolvimento do capital humano de cada uma delas. E pela paz mundial, a gente luta através da quebra de preconceitos e exposição às pessoas diferentes da gente!

“Fica aqui, então, o meu mais sincero obrigada à natação por tudo o que ela já me proporcionou e por tudo que ela ainda nos proporcionará! Muito obrigada e Feliz Dia da Natação!”

Luísa Rodrigues, 24 anos – ex-atleta do Clube Paineiras do Morumby

“Eu comecei a nadar com 8 anos, no pré mirim. O esporte me mudou muito: desde essa época eu aprendi a ter disciplina para organizar meu tempo desde cedo e conseguir treinar-estudar e tudo funcionar direito. Não só isso, ele me fez aprender que, pra conquistar alguma coisa, eu tenho que repetir ela um milhão de vezes todo dia, me esforçar pra isso e mesmo assim pode não dar certo. E se não der certo, tudo bem, ainda posso me esforçar mais e eu vou dar mais valor ainda quando conquistar e isso tudo foi algo que eu sempre levei na minha vida acadêmica e profissional.

“Além de tudo isso aí em cima, ainda me trouxe meus amigos mais antigos que mantenho até hoje, independente de terem continuado treinando ou não”.

Bruna Alvarenga, 24 anos – ex-atleta do Clube Paineiras do Morumby

“A vida de atleta me ensinou determinação. Sem o treino e esforço diário não tem como se alcançar os seus objetivos. Me ensinou superação. Ir treinar mesmo com infinitas dores no corpo do treino forte do dia anterior nunca é fácil e nunca acostuma. Me ensinou a tomar decisões. Abrir mão da balada para ir ao treino ou abrir mão do próprio esporte para cuidar da saúde.

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“Mas acima de tudo, me ensinou a paixão. Enquanto muitos tentam nos convencer a desistir dessa vida por ser muito puxada, cansativa ou chata, a paixão pelo esporte é o que nos faz levantar todos os dias e passar horas dentro da piscina”.

Equipe do Raia Oito

É claro que a equipe do Raia Oito não poderia ficar fora dessa! Diz aí, pessoal. Além do blog, o que mais que a natação mudou em suas vidas?

Talitha Adde, 25 anos – nadadora da equipe Master do Clube Paineiras do Morumby

“O cloro faz parte da minha vida desde quando tenho três anos de idade. O que começou por um hobbie, se tornou paixão aos 10 anos, quando fui convidada a entrar para a equipe competitiva do clube Paineiras. Desde então, não larguei o osso! Além de me transformar em uma pessoa completamente focada em meus objetivos, tanto pessoal, como profissional, o esporte me ensinou a me desafiar”.

Felipe Sasaki, 30 anos – Ex-nadador da equipe da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB-SP)

“Também tive contato com as piscinas desde que era um bebê, mas fui me apaixonar pelo esporte aos 12 anos, quando fui convidado para ser parte da equipe competitiva da AABB. A rotina de treinar quase todos os dias e de passar todas as minhas tardes (e noites) no clube me tornou uma pessoa mais responsável e me ajudou a conseguir meu primeiro estágio, pois foi o que me levou a embarcar em diversas experiências profissionalizantes durante a faculdade na Atlética da ESPM. Posso dizer que a natação me deu meu primeiro emprego”.

Victoria Salemi, 24 anos – nadadora da equipe Master do Clube Paineiras do Morumby e da ECA-USP
“Nunca me esqueço de uma entrevista para um estágio em que meu chefe perguntou: ‘você era atleta de natação? Então você deve saber lidar bem sob pressão’. Isso me marcou muito, porque foi aí que eu percebi que, realmente, essa história de esporte competitivo faz diferença mesmo pelo resto da nossa vida! Foram nove anos de muito esforço, treinos seis dias por semana e muuuuuitos metros nadados. E se você pensa que eu parei porque cansei, está muito enganado! A vida nos obriga a fazer algumas escolhas, mas, mesmo que de uma forma diferente agora, a natação não saiu da minha vida – e nem vai sair!”