Algumas vezes aqui no Raia Oito já falamos sobre o que é e como funcionam as avaliações biomecânicas. Mas, desta vez, fomos testar uma para poder contar o passo a passo de como ela funciona!

Como já explicamos um pouquinho nesse post, a biomecânica faz uma análise do nado do atleta por meio de testes de força e de análise de vídeos para que se possa saber quais os pontos fortes e fracos do estilo do nadador e, assim, melhorar a técnica de nado e, consequentemente, o desempenho.

Fui fazer essa avaliação porque vivo tendo problemas com dores no ombro e saber exatamente como o movimento da minha braçada é poderia me ajudar a corrigir o nado e prevenir as lesões.

Chegando ao local onde faria minha avaliação com a Meazure, me troquei e fiz um aquecimento de cerca de 300 metros, com algumas acelerações. É pouca coisa porque a avaliação mesmo é um tiro de 25, em alguns casos dois, nadando a 100% – ou em ritmo de prova, no caso de fundistas.

Pronta para a avaliação, coloquei um cinto com uma cordinha atada a uma máquina para fazer os tiros. Essa máquina mede a velocidade do nado a cada fase da braçada e da pernada. Ao mesmo tempo, uma câmera lateral subaquática acompanha o atleta e outra fica posicionada na borda do outro lado para que o nado seja filmado também de frente. Fiz um tiro de 25, saindo de baixo mesmo, voltei soltando para o outro lado da piscina, dei uma respirada e repeti isso mais uma vez.

Em cima do bloco, é a máquina à qual o cinto fica preso para que se possa medir a velocidade do nado

Pronto, a parte de coleta das informações sobre meu nado estavam feitas. Na mesma hora, as imagens e os gráficos com a variação de velocidade do nado já vão para os computadores dos biomecânicos – o Augusto Barbosa e o Leonardo Leis, no caso da Meazure. Com essas informações, o Augusto já começou a me explicar algumas coisas sobre meu estilo.

O Leonardo (à direita) já separa as imagens e passa pro Augusto (no meio) já ir dando as explicações pro atleta

No meu caso, a braçada de crawl estava sobrecarregando o ombro exatamente no local em que eu já tinha me lesionado antes. Ele me mostrou imagens de nadadores olímpicos que nadavam da mesma forma que eu nesse quesito, mas que também já tinham passado por cirurgias em algum dos ombros, e de como o movimento que eu estava fazendo sobrecarregava essa minha parte do corpo. Outra correção foi melhorar minha posição corporal na água, tentando subir a perna para diminuir a resistência da água e, assim, aumentar minha velocidade.

Imagem da câmera frontal

Imagem da câmera lateral

Explicado tudo o que estava errado no meu estilo de crawl, hora de voltar para a piscina para a sessão de educativos. O Augusto me passou alguns para que eu corrigisse minha braçada. Ele ficou o tempo todo de olho, para avisar o que tinha melhorado e o que ainda precisava de ajustes.

Depois de melhorar um pouco a situação, ele pediu que eu fizesse um de 25 com paraquedas e palmar para que eu pudesse sentir se o músculo certo estava sendo usado na braçada e também para antecipar o início da puxada, não deixando o paraquedas afrouxar para manter a continuidade do nado. Eu não usava palmar há mais de um ano por causa das dores no ombro e vou confessar que tive medo, mas ele me garantiu que, se eu nadasse com a técnica de nado correta, não sentiria dor. E, realmente, consegui usar palmar sem sofrer.

Hora de nadar com paraquedas e palmar

No fim, nadei um pouco o crawl completo com o Augusto observando se eu tinha conseguido corrigir tudo o que ele tinha apontado.

Depois da avaliação, recebi os relatórios sobre meu nado, com as correções que devem ser feitas, da Meazure e agora sei exatamente no que vou ter que prestar atenção para que meu ombro não volte a doer. A avaliação não serve para corrigir tudo instantaneamente, mas para apontar o que deve ser melhorado e os caminhos para que isso seja feito.

O relatório é feito para cada atleta e vem com todas as correções de nado que devem ser feitas

Abaixo, um vídeo com alguns momentos da avaliação preparado pelo pessoal da Meazure: