“Hoje eu posso dizer que minha vida é pautada em cima dessa aula de natação”. É assim que o especialista em psicologia econômica, Eduardo Salem, define seus treinos. Ele nada três vezes por semana na equipe Gladiadores, pertencente ao ex-nadador olímpico Luiz Lima.

Os treinos são realizados às segundas, quartas e sábados no posto 6 da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e são dados pelo próprio Luiz Lima, que é professor de educação física. A equipe dos Gladiadores existe desde 2010. “Os treinos dão entre dois e três mil metros e, durante a semana, são cerca de 30 pessoas do grupo. Aos sábado, umas 60”, conta o nadador amador Eduardo.

Em dias de natação, o economista acorda às 6h, ajuda o filho a se arrumar para a escola e faz um trajeto de meia hora de bicicleta até chegar em Copacabana. Às 6h45 já está entrando no mar, onde nada até as 8h. Depois, volta de bicicleta para casa e às 9h30 já está pronto para trabalhar. “Meu dia começa de um outro jeito. O contato com o mar, essa coisa de sair de casa pedalando de manhã cedinho, o sol nascendo, chegar lá e ter um grupo super legal”, explica ele. “Não tem nada que goste mais de fazer do que isso”.

Como são os treinos

Todas as sessões de treinamento são feitas no mar. Ali na praia são colocadas boias que foram uma espécie de circuito, em volta do qual o grupo nada.

No aquecimento, nadam cerca de dez minutos em alguma direção combinada e depois voltam. Em seguida, fazem alguns tiros com duração pré-estabelecida, de um ou dois minutos, e, por fim, fazem um mini-circuito, simulando provas de águas abertas, em volta das boias. “No começo eu não fazia tudo, só o aquecimento, e já saía cansado, mas lá pela 6ª, 7ª aula já tava aguentando”, explica Eduardo, que antes de entrar para os Gladiadores tinha ficado 15 anos sem nadar.

Provas de águas abertas

O percurso da praia de Ipanema até a Ilha de Cagarras dá cerca de 4650 metros. (Imagem: reprodução Google Maps)

O grupo costuma viajar para fazer provas de águas abertas pelo Brasil. No Rio de Janeiro, participam do Rei e Rainha do Mar, além de organizarem algumas nadadas nas praias do Leblon, de Ipanema e de Copacabana. Uma das mais tradicionais citadas por Eduardo Salem é a travessia Cagarras-Ipanema, um percurso de quase cinco quilômetros da praia até uma pequena ilha.

Acostumando com as águas abertas

Antes de entrar para os Gladiadores, Eduardo Salem lembra que tinha certo receio de nadar no mar. “Sempre tem um medo. Eu tinha medo de tubarão. Do mar nem tanto, a gente gosta de nadar em qualquer mar. Era mais o medo de cruzar com um peixe grande”, explica o economista.

Eduardo Salem depois de nadar no mar de Copacabana com a equipe dos Gladiadores. (Foto: acervo pessoal)

E a única forma para vencer esse medo é ir acostumando com esse novo ambiente. “Eu venci meu medo indo lá. No dia a dia, todo dia é uma história. É ir acostumando, forçando”, sugere Eduardo. Outra dica dada por ele é a de encontrar um grupo, com colegas e apoio de caiaques. “E começar aos pouquinhos. Você vai se acostumando e chega uma hora que você não consegue mais ficar sem nadar no mar”, completa o atleta amador.