Ah, o feriado!

Dia de descansar, viajar com os amigos, assistir um filme, comer porcaria…doce ilusão! Para quem é atleta, feriado não é só dia de treinar, como é dia de treinar forte, muito forte. Em comemoração ao feriado prolongado, conversamos com atletas e ex-atletas sobre as séries que marcaram suas carreiras.

Começamos esta lista com a Julyana Kury, nadadora olímpica que hoje é responsável pela preparação física da equipe do Corinthians. Julyana foi integrante do revezamento 4×100 livre nas Olimpíadas de Beijing, em 2008.

Julyana Kury a caminho dos Jogos Olímpicos de 2008. — Foto: Registro pessoal.

Atleta versátil, Julyana coleciona diversos títulos brasileiros nas provas de crawl, medley e costas. Para ela, o treino mais difícil que ela já fez foi:

12×300 medley (75 cada estilo)
1°- 75 borboleta A1 / 75 costas A2 / 75 peito A3 / 75 crawl A2
2°- 75 borboleta  A2 / 75 costas A3 / 75 peito  A2 / 75 crawl A1
3°- 75 borboleta  A3 / 75 costas A2/ 75 peito  A1 / 75 crawl A2
4°- 75 borboleta A2 / 75 costas A1 / 75 peito  A2 / 75 crawl A3

A próxima série vem do relato do ex-nadador argentino, Cristian Soldano. Especializado nas provas de peito, Cristian competiu nas Olimpíadas de Atenas, em 2004 e hoje é o Head Coach da ADI/Secretaria de Esportes da Prefeitura de Indaiatuba.

6×400 peito na longa
Média: 5’20 – 5’25
Intervalo: a cada 6’10

Cristian Soldano, nadador argentino de peito. — Foto: Registro pessoal.

Gabriela Cordeiro, atleta de 25 anos do Minas Tênis Clube, faz parte do time dos fundistas. Além das medalhas faturadas nas provas de fundo em Campeonatos Brasileiros Absolutos, Bibi, como é conhecida, também já subiu no pódio nas maratonas aquáticas.

1×1000 – ritmo de 1500
1×800 – ritmo de 1500
1×600 – ritmo de 800
1×400 – 100%

Bibi conta que, por serem tiros longos, foi muito difícil manter a média proposta.

Gabriela Cordeiro (à direita) no pódio dos 1500 metros livre no Troféu Maria Lenk disputado em 2018. — Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

Principalmente nos tiros de 1000 e 600, que eram quase a metragem da prova inteira. E os 400 do final, em que você já está esgotado e ainda tem que fazer um tiro um forte.”

Conversamos também com o nadador master, Luciano Gobi. Aos 46 anos, ele treina no clube campineiro,Tênis Clube, comandado pelo treinador de longa data, Cabral. Luciano está se preparando para o 18º Campeonato Mundial Master que acontecerá de 29 de julho a 9 de agosto em Gwangju, na Coreia do Sul e relembrou conosco a série mais desafiadora que já fez.

20×100 com intervalo regressivo a cada quatro tiros.
4 a cada 1’40
4 a cada 1’35
4 a cada 1’30
4 a cada 1’25
4 a cada 1’20

Segundo o nadador, o interessante dessa série é que ela pode ser adaptada conforme o ritmo de cada nadador. A dica dada por ele é:

“Lembro de ter segurando bem no começo. O objetivo foi tentar descansar de 10 a 15 segundos entre os tiros. Mantive um ritmo bem confortável nos 8 primeiros, segurando média de 1’25, quase um aquecimento. Quando o intervalo muda para 1’30, o ritmo começa a apertar e os últimos serão quase um 400 broken.”

Finalizamos a lista com o relato de uma das redatoras do Raia Oito, Victoria Salemi. Nadadora de medley e fundo, Victoria foi destaque nas categorias de base conquistando diversas medalhas em Campeonatos Brasileiros. O treino mais doloroso para ela foi dado pelo então Coach, Rogério “Mixirica”.

5×400 de bloco, a cada 10 minutos, sendo:
1 borbo
1 costas
1 peito
1 crawl
1 medley

Victoria Salemi nadando os 50 borboleta no Intercalouros em 2013.

Para sua própria surpresa, e nossa também, o tiro de borboleta foi o que menos doeu. Em suas próprias palavras, “O peito e o medley foram cruéis.”

Seja longo ou curto, de resistência ou velocidade, a verdade é que, mesmo depois de anos, alguns treinos ficam guardados na memória. No final, o que importa, é nos superarmos fisica e principalmente mentalmente.

E aí? Que tal aproveitar esse feriadão para fazer uma das séries acima?
Boa sorte 😉