Ao longo dos meus mais de 10 anos competindo natação venho concluindo que nem sempre o resultado de uma competição tem uma fórmula própria. Em outras palavras, o que quero dizer, é que algumas medalhas têm histórias muito maiores do que o simples fato de ter se dedicado a todos os treinos. Algumas vezes, acontecem coisas tão inesperadas enquanto estamos competindo que o gosto daquele resultado – independente se houve melhoras de tempo –  acaba tendo um significado muito maior! E é sobre isso que vamos falar hoje: os bastidores de algumas medalhas conquistadas depois de (quase) tudo dar errado. .  

Se você acompanhou o Mundial de Esportes Aquáticos, em Gwangju, na Coreia do Sul, deve ter notado que a nadadora sueca Sarah Sjostrom precisou de atendimento médico após disputar e garantir o bronze nos 200m livre. A imagem da atleta usando uma máscara de oxigênio foi compartilhada por ela mesma em seu perfil nas redes sociais e provou, mais do que nunca, que um atleta não poupa esforços para dar sempre o seu melhor. 

No Instagram, a nadadora,  campeã olímpica e recordista mundial dos 100 metros borboleta, acalmou os seus seguidores com a legenda: “É essa a sensação de uma prova de 200 livre?! Enfim, estou bem agora. E super feliz com o meu bronze”. 

Tem que ter muito jogo de cintura e uma preparação mental impecável para ter conquistado esta medalha, não acha?

Publicação da nadadora em seu perfil no Instagram

Falando em jogo de cintura, quem aqui se lembra dos oito ouros de Michael Phelps nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008? O que poucos sabem é que uma destas medalhas foi conquistada pelo nadador com o óculos de natação repleto de água! Pois é. Se você achava que este pequeno incidente é “coisa de iniciante”, se enganou. 

O maior medalhista em uma única edição de Olimpíada contou ao Jornal New York Times que logo quando saltou na piscina para disputar os 200 metros borboleta entrou água no óculos. Durante a entrevista, ele conta que a situação ficou dramática nos 100 metros finais, em que a visibilidade ficou ainda pior. “Eu comecei a tentar ver as sombras, enxergar o T (do chão da piscina). Então comecei a contar braçadas. Eu sei mais ou menos quantas braçadas eu dou em 50 metros”. 

Michael Phelps com a medalha de ouro nos 200 metros borboleta

Por isso, o desempenho acabou sendo abaixo do esperado para o nadador, que também estabeleceu um novo recorde mundial e atingiu uma nova marca pessoal. Você conseguiria nadar para um bom desempenho caso tudo fosse ao contrário do que imaginava para aquela prova?  Eu não.

Já a ex-nadadora de maratonas aquáticas Poliana Okimoto pode ser um exemplo de que, se não na mesma competição, é possível dar a volta por cima. Ter subido em terceiro lugar na prova dos 10 km nos Jogos Olímpicos Rio 2016 significou uma superação para atleta. Nos Jogos de Londres-2012, Poliana sofreu hipotermia e precisou abandonar a prova. Já em Pequim-2008, sua estréia olímpica, chegou em sétimo lugar. Haja muita preparação mental!

Poliana Okimoto com a medalha de bronze da Rio 2016

E você, tem alguma história por trás de uma medalha para contar? Compartilhe com a gente!