No início da semana, trouxemos dicas de “11 coisas que você pode aprender com os melhores nadadores do planeta“. Como observar a forma de agir dos mestres pode sempre nos ajudar, hoje trazemos mais 10 conselhos!

1. Michael Andrew: cerque-se com seus objetivos

Com que frequência você olha para os seus objetivos? Eles estão escritos em algum lugar? Seja no seu flutuador para olhar durante o treino — como faz Katie Ledecky — ou colado na parede do seu quarto — igual Michael Phelps fazia?

O campeão americano e jovem promessa Michael Andrew gosta de escrever suas metas em papéis e colá-los por toda parte. A ideia é se familiarizar com os objetivos — você vai ficar tão acostumado com eles, que vão se tornar realidade ao invés de um sonho.

“Eu os escrevo a mão, não digito”, conta Andrew. “Eu pego um pedaço de papel grande, escrevo os objetivos e colo nas paredes do meu quarto e da minha casa, de modo que eu sempre os veja. Aquilo se torna algo tão familiar para mim que eu não percebo, porque eu começo a acreditar muito naquilo”, completa.

2. Nathan Adrian: foque em fazer sua melhor prova e os resultados aparecerão

O grande objetivo é importante. É ele que vais servir como bússola para seu esforço a cada dia nos treinos. É com ele que sonhamos todas as noites quando vamos dormir e é ele que nos mantém focados.

E, ao passo que estabelecer metas específicas pode motivar alguns nadadores, o americano Nathan Adrian, cinco vezes campeão olímpico, prefere uma abordagem mais baseada no processo — e em nadar rápido.

“Existem pessoas que preferem diferentes técnicas para estabelecer seus objetivos”, explica Adrian. “Eu não sou um cara que estabelece metas numéricas. Isso não funciona muito bem para mim. O que funciona no meu caso é executar a prova para a qual eu me planejei o ano todo”.

Em vez de apenas focar no tempo, considere como sua prova ideal será, tecnicamente. Foque em construir a performance exatamente dessa forma a cada dia nos treinos!

3. Caeleb Dressel: reflita e avalie suas provas e estilos para melhorar mais rápido

Existem diversos aparatos tecnológicos, pranchas, palmares e trajes, que um nadador pode usar. Mas um dos que costuma funcionar melhor é uma dupla bem simples: papel e caneta.

O supercampeão Caeleb Dressel utiliza diários desde que era apenas uma criança começando na natação competitiva. Às vezes, ele sai entre séries no treino para anotar algumas percepções sobre seu estilo.

Jason Calanog, um dos primeiros técnicos de Dressel, recomendou que ele começasse a anotar os treinos. “Suas anotações eram das mais completas que eu já tinha visto”, lembra o treinador. “Ele escrevia páginas e páginas sobre como sentiu cada músculo e como queria que seu estilo ficasse quando aprimorado”.

Mas apenas anotar não basta. É preciso refletir sobre o que se está fazendo nos treinos, não apenas anotar volume e intervalos. Dessa forma, fica mais fácil avaliar os treinamentos, aprender com os erros e melhorar mais rápido!

4. Sarah Sjostrom: competir muito te ajuda a aprender como lidar com provas ruins

Competir é desafiador para muitos nadadores. Investimos horas e horas treinando para chegar no momento certo e fazer a prova perfeita. Sem pressão, certo? Rs.

Por isso, pode ser muito difícil dar a volta por cima quando a primeira prova de uma competição importante não sai conforme o esperado.

A sueca Sarah Sjostrom, a nadadora mais rápida do mundo nos 50m e 100m livre, acredita que sua capacidade de se recompor após uma prova ruim se deve ao fato de sua consistência na hora de competir.

Ela gosta de nadar provas sempre que possível — em especial as etapas da Copa do Mundo da FINA — para ajudá-la a criar uma resiliência na competição. “É sempre uma questão de se reorientar. E muita competição”.

5. Alex Popov: seja implacável em relação à perfeição técnica do seu nado

O homem que dominou as provas do estilo livre por quase uma década, Alex Popov, sempre havia algo que ele podia melhorar em sua técnica de nado.

Durante seus treinos, que às vezes envolviam nadar 5 mil metros direto, o russo sempre buscava nadar com a técnica de nado perfeita. Ele aumentava a velocidade até o ponto que conseguia manter a técnica de nado. Se percebia que ela piorava, diminuía um pouco a velocidade para corrigi-la.

A cada braçada, a cada piscina, Popov estava construindo o que talvez tenha sido o nado livre mais eficiente na história da natação. Considere isso: quando ele quebrou o recorde mundial dos 50m livre na seletiva russa para os Jogos Olímpicos de 2000, ele fez 21″64 com apenas 31 braçadas!

6. Vladimir Salnikov: atingir seus objetivos quase sempre demora mais do que você espera

Na Olimpíada de 1980, em Moscou, o russo Vladimir Salnikov se tornou o primeiro homem a nadar os 1500m livre abaixo dos 15 minutos. O único problema era que essa medalha de ouro parecia vazia, uma vez que os países alinhados aos Estados Unidos durante a Guerra Fria boicotaram essa edição dos jogos olímpicos.

Quatro anos depois, com a Olimpíada sediada em Los Angeles, quem deixou de comparecer foram os russos. E, durante todo esse tempo, Salnikov continuou treinando para buscar sua medalha olímpica de ouro em uma edição com todos os países presentes.

Nas Olimpíadas de Seul, em 1988, uma competição em que seu próprio país não queria trazê-lo por considerá-lo desanimado, Salnikov lutaria até a final dos 1500m, conquistando finalmente aquela indescritível medalha de ouro! Naquela noite, quando entrou na Vila Olímpica, ele foi aplaudido por atletas de todos os países e esportes.

Muitas vezes, nossos objetivos demoram mais do que esperamos para serem atingidos. Mas isso só torna o sabor da conquista melhor!

7. Jason Lezak: não desista

Jason Lezak foi o responsável por fechar um dos revezamentos mais eletrizantes da história da natação, na Olimpíada de Pequim, em 2008.

O americano nadou ao lado do então detentor do recorde mundial dos 100m livre, o francês Alain Bernard. O ouro para os Estados Unidos parecia impossível.

No entanto, Lezak conseguiu quase um milagre: fechou os 4x100m livre para 46″0 e tocou na frente dos franceses. Essa medalha foi uma das que permitiram que Michael Phelps conquistasse 8 ouros naquela edição olímpica.

Portanto, saiba que nada é impossível. Não desista!

8. Anthony Nesty: os detalhes importam

Na Olimpíada de 1988, em Seoul, o americano Matt Biondi era favorito para ganhar muitas provas. Entre elas, os 100m borboleta. E durante 99 metros, ele estava fazendo isso.

Mas, na hora da chegada, Biondi precisava decidir entre deslizar ou dar meia braçada. Ele escolheu deslizar e, naquela fração de segundo, o nadador Anthony Nesty, de Suriname, acertou uma braçada e conquistou o ouro.

Detalhes como esse podem parecer pequenos no treino, mas podem fazer uma enorme diferença na hora da sua prova principal!

9. Mike Burton: o trabalho duro define o que é possível

A única forma de descobrir do que você é capaz é trabalhando duro. E foi assim que o fundista americano Mike Burton soube.

Ele treinava, junto com Mark Spitz, com o técnico Sherm Chavoor. Em um sábado, depois de já terem treinado forte, eles precisaram ficar para fazer um tiro de 1650m para tempo. 

“Eu fiquei acabado depois. Nunca fiquei tão cansado na minha vida, nem antes nem depois daquele sábado”, contou Burton, anos depois, sorrindo. “Mas, naquele ponto, eu soube que não havia mais nada que o Sherm pudesse me passar que eu não aguentasse”.

10. Kylie Masse: confie no processo

É possível que você já tenha ouvido: confie no processo e os resultados vão aparecer.

Como nadadores, estamos sempre almejando resultados distantes, medalhas importantes, recordes e nossos melhores tempos. Ficamos nos estressando por causa dos resultados e ficamos ansiosos. Todavia, focar no processo a cada dia em busca da excelência nos ajuda a ter controle sobre nossa preparação — e a nos tornar mais confiantes.

O técnico da canadense Kylie Masse, Byron MacDonald, fala sobre a atleta: “Muitas pessoas se preocupam com o resultado, mas ela foca apenas no processo e gosta de se desafiar”.

Texto traduzido e adaptado do site SwimSwam.