A história da natação é cheia de casos de triunfo e adversidade. Podemos aprender muito com nadadores que passaram por esses momentos antes de nós.

Seja aprendendo como lidar com o fracasso, como recomeçar depois de um tropeço ou estabelecer metas grandiosas, há muitas lições que os astros das piscinas podem nos ensinar.

Neste post, trazemos dicas que você pode aprender com alguns dos maiores campeões do passado e do presente para que você possa chegar ao seu desempenho máximo!

1. Michael Phelps: qual sua motivação

Todos os dias, acordamos cedo com o despertador nos levantando para a vida. É normal ter aquela vontade de ficar na cama e dar uma desculpa para não treinar.

Mas não foi assim que Michael Phelps se tornou o maior nadador de todos os tempos. O americano escrevia todos os seus objetivos em um papel para que, a cada manhã, pudesse acordar e ler suas metas. Dessa forma, ele não teria preguiça de ir treinar, porque saberia qual era sua motivação.

“Eu tenho meus objetivos escritos onde eu possa vê-los. Assim, quando eu levanto, sei que estou acordando para trabalhar naquilo que estou tentando conquistar”, disse o nadador.

2. Janet Evans: ser sua melhor versão vai exigir sacrifícios

É tentador pensar que podemos obter sucesso equilibrando tudo. Mas ser bem-sucedido vai exigir algum tipo de sacrifício ao longo do trajeto. As festas das quais você vai abrir mão, os momentos de lazer que você vai ter que passar — você vai ter que desistir de boa parte dessas coisas por algo maior.

Janet Evans não brincava em serviço quando se tratava de treinar. Havia dias em que ela fazia 20×400 medley no treino. E a parte mais louca é que essa série era ideia dela!

Depois de alguns anos em Stanford, depois da Olimpíada de Barcelona, a NCAA limitou o as horas semanais de treino a 20h. Como os treinos de Evans chegavam a 35h por semana, ela decidiu sair da faculdade para continuar treinando o quanto achava que seria necessário para atingir seus objetivos.

Ela era uma ótima aluna, mas enxergou que esse sacrifício seria necessário para chegar às suas metas.

3. Adam Peaty: deixe a natação na piscina

Primeiro homem a nadar os 100m peito na casa dos 56″ na piscina longa, Adam Peaty é impressionante. A cada vez que nada, existe a expectativa de que mais um recorde mundial seja quebrado.

Pode parecer que esse supernadador respire natação 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mas não é bem assim. Peaty treina muito bem, mas, a partir do momento que sai do treino, ele tem uma regra: não falar sobre natação.

“Às vezes vou na sala e meus pais estão assistindo a uma das minhas provas, então eu peço que eles desliguem a TV”, contou o britânico. “Se eu ficar pensando sobre meu desempenho, vou ficar focado nisso a noite toda, o que significa que estarei gastando energia quando eu deveria estar me recuperando”.

Isso significa que você deve voltar para casa e comer um monte de porcarias? Sair para uma festa na véspera de uma competição? É claro que não. Você ainda pode ter o estilo de vida de um atleta sem se tornar obcecado com o esporte enquanto você não estiver treinando.

4. Katie Ledecky: esteja disposto a falhar

Todos nós temos uma veia perfeccionista dentro de nós. Para alguns nadadores, isso significa uma falta de vontade de se esforçar até o limite nos treinos — descobrir quais esses limites não é particularmente agradável e pode ser humilhante.

Mas, para Katie Ledecky, isso não é um problema. Ela vai para a piscina todos os dias para falhar. Quanto mais difíceis as coisas que tentar fazer, maior a chance de dar errado, mas também maior a melhora a cada treino.

Seu técnico, Bruce Gemmel, observa que ela tem um apetite incansável pela melhora, o que inclui uma dose saudável de derrotas.

5. Dara Torres: ignore quem duvidar de você

Durante a década de 1980, a sabedoria convencional dizia que ser uma nadadora de 15 anos significava que você estava no auge. Ser um nadador de 28 anos significava que você estava em fim de carreira.

Aos 14 anos, Dara Torres quebrou seu primeiro recorde mundial. Aos 17, ganhou sua primeira medalha de ouro olímpica. Depois de se aposentar, voltou aos 32 anos para ganhar mais cinco medalhas nos Jogos de Sydney, em 2000. Ela ainda voltaria a ganhar mais três medalhas de prata aos 41 anos, em Pequim 2008. Ela fez isso diante de inúmeros críticos que disseram que seria impossível.

As pessoas sempre terão opiniões sobre o que é possível ou não no esporte. Porém, como disse Dara Torres: “a água não sabe quantos anos você tem”.

Portanto, ignore as críticas sem fundamento e corra atrás dos seus objetivos!

6. Megan Quann (Jendrick): visualize seu sucesso

É difícil descrever o quanto Penny Heyns, da África do Sul, era a favorita para vencer os 100m peito nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Na época, ela possuía cinco dos seis recordes mundiais nas provas de peito, tanto na piscina curta quanto na longa. Heyns também era a então campeã olímpica nos 100m e nos 200m peito.

Mas isso não importava para a confiante Megan Quann (agora Jendrick), de 16 anos. A jovem americana passou anos anteriores visualizando suas provas antes de dormir e, a cada vez, ela ganhou ouro. Suas visualizações incluíam tudo sobre a prova: a temperatura da água, a força da sua pernada, os azulejos no fundo da piscina… E a cada vez que ela batia na parede? Novo recorde mundial!

“Eu tenho visualizado minhas provas todas as noites antes de ir para a cama”, disse ela durante a seletiva olímpica em 2000. “Eu imagino isso com um cronômetro na mão e toda noite meu objetivo é fazer 1’05″49. Acabei de visualizar outro dia e meu tempo era 1’05″47”.

Embora o tempo final fosse mais lento do que o então recorde mundial projetado, Quann viraria para ganhar o ouro. No momento em que ela subiu no bloco, era como se ela já houvesse competido essa exata prova mil vezes.

Como Quann mostrou, a visualização funciona muito bem quando você não a trata como uma ferramenta usada apenas em caso de emergência ou como uma forma de preparação de última hora. Ela é tão essencial para o seu treinamento quanto o aquecimento, as séries fortes e a soltura.

7. Garrett Weber-Gale: use a visualização para dominar momentos de adversidade

Você sabe que pode acontecer: aquele momento, nos treinos ou competições, em que você trava feio. Seus braços parecem pesar o dobro, a pernada não sai mais tão rápida, as mãos não pegam mais água e seu quadril vai lá no fundo da piscina. Essa experiência não é nem um pouco gostosa, mas ela se torna pior ainda se você não estiver mentalmente preparado para ela.

O americano campeão olímpico Garrett Weber-Gale costumava visualizar o momento preciso em que ele travava, assim estaria pronto quando acontecesse. E, mais importante que isso, ele se imaginava dando a volta por cima:

“Eu costumo visualizar esse momento, em que meus braços parecem sacos de areia”, disse o nadador. “Chego ao ponto em que estou completamente preparado para a dor. Depois de imaginar esse momento por um longo tempo, sei que sou capaz de suportar o estresse emocional e a dor física”.

8. Kieren Perkins: a excelência exige que você nade contra a maré

Kieren Perkins foi um importante nadador de fundo nos anos 90. E seu destaque não vinha sem dificuldades.

Muitas vezes, a resistência que experimentamos é das pessoas ao nosso redor, seja dos nadadores da nossa equipe ou dos nossos amigos. Eles zombam dos nossos objetivos, dizem que não são grande coisa ou que é apenas “um treino”.

O conselho do rei do fundo australiano para um nadador com grandes metas? Não deixe que os desmotivados te derrubem. Trilhe seu caminho.

“Isso pode significar fazer algo diferente do resto do seu grupo”, dizia Perkins.

9. Anthony Ervin: não faça comparações injustas

Durante o treinamento para a seletiva olímpica de 2012, os técnicos da Cal Swimming trabalhavam com dois nadadores que não poderiam ser mais diferentes fisicamente. De um lado, tinham Nathan Adrian, com quase 2 metros de altura e cerca de 100kg de músculos.

O outro era Anthony Ervin, que não nadava há quase uma década, media 1,91m e pesava cerca de 80kg. Nesse momento, ele mal conseguia ficar na posição de saída sem que seu corpo tremesse todo.

Ervin costumava ficar comparando seus pesos levantados na academia com os de Nathan Adrian. Em certo ponto, ele começou a pensar que seus objetivos não valiam de nada, pois ele nunca conseguiria ter um desempenho como o que via do colega.

O treinador de força da Cal Swimming na época, Nick Folker, lembra que Ervin saiu da academia visivelmente desanimado depois de tudo isso.

A comparação é natural e pode ser útil quando a usamos como uma ferramenta motivacional. Mas, quando tomamos o melhor dos outros e o comparamos com nossas fraquezas, fazemos um desserviço a nós mesmos. Paramos de focar nas coisas que fazemos bem e nos colocamos para baixo.

10. Katie Ledecky: não existe treino desperdiçado

Quantas vezes você desistiu de um treino porque se sentiu um pouco lento? Porque seu estilo não parecia tão incrível como de costume? Ou porque você simplesmente não estava “se sentindo bem”? Desistir do resto do treino quando você não está se sentindo bem é uma oportunidade desperdiçada que você nunca mais terá de volta.

Mesmo que seu nado não esteja fluindo, há várias coisas em que você ainda pode se concentrar. Quão apertadas estão suas mãos no stremaline? Que tal um trabalho atento aos pontos fracos em sua técnica?

Katie Ledecky, por todas as suas performances sobre-humanas na natação, é… exatamente como o resto de nós. Ela tem treinos nos quais não está muito inspirada, em que as coisas não estão dando certo conforme o esperado. Sua atitude quando isso acontece?

“Tento melhorar nos bons dias e tirar algo positivo dos dias em que não me sinto bem. Trabalhe na técnica ou algo assim”, diz Ledecky.

Uma das coisas que acontecem quando você começa a trabalhar em sua técnica e forma física é que você começa a nadar melhor. E, quando você começa a nadar bem, logo começa a nadar mais rápido!

11. Adam Peaty: vá à luta para derrotar a ansiedade antes das provas

É comum que muitos atletas treinem muito bem, mas fiquem muito nervosos antes de competir. E é normal ficar enfurecido por isso.

Há muitas razões pelas quais as coisas não acontecem da maneira esperada, mas uma das mais comuns é não entender qual deve ser o seu estado emocional e mental ideais nos momentos anteriores ao da saída da sua prova principal.

Quando adolescente, Peaty aprendeu que, para conseguir um melhor desempenho, significava que precisaria ter uma atitude mais agressiva (no sentido de ir à luta).

“Quando eu tinha 15 anos, quase odiei nadar finais porque ficava muito nervoso”, disse o nadador. “Mas, à medida que me tornei mais experiente, tive que escolher entre lutar e fugir — e eu sempre lutava”.

Fique um pouco bravo ou animado, o que funcionar melhor para você. Isso o ajudará a canalizar a emoção e a adrenalina que você está sentindo para algo produtivo.

Texto traduzido e adaptado do site SwimSwam.