As comemorações de fim de ano chegaram ao fim e com elas, vêm aquele pesinho extra e inchaço que sentimos depois de muita comilança e pouco exercício. A temporada de treinos já começou e no texto de hoje explicaremos um dos tipos de treinamento mais usados nessa época do ano: o treino de base.

Para nos ajudar a entender melhor sobre o assunto, batemos um papo com a ex-atleta olímpica de Pólo Aquático e nadadora da Seleção Brasileira de Natação, hoje técnica do clube ASA em Manaus, Lucianne Barroncas. 

Afinal, o que é o treino de base?

Esse tipo de treinamento auxilia no desenvolvimento do condicionamento aeróbio do atleta, ou seja, na sua capacidade de recuperação e remoção do ácido lático do corpo. O treino de base é uma preparação para treinamentos mais específicos, como os anaeróbios. 

Por muitos anos, acreditava-se que um atleta com ótimo condicionamento físico seria capaz de realizar com êxito qualquer atividade. Hoje, o pensamento mudou. Segundo Barroncas, cada esporte possui um condicionamento específico, ou seja, as capacidades aeróbias não são transponíveis. Correr não irá necessariamente ajudar um atleta a nadar melhor – e vice versa – porque cada esporte exige uma preparação própria. 

O treino de base para cada nadador

Assim como o condicionamento aeróbio difere entre modalidades, o mesmo acontece conforme o nível, a categoria e a especialidade de cada atleta. 

Os treinos de base geralmente possuem uma metragem maior, podendo variar de 5 a 10 – ou até mais – quilômetros por sessão. Porém, isso não é uma regra. Vale lembrar que eles devem respeitar os estágios e características de cada nadador, sempre atendendo às suas necessidades. 

Como assim?

Um nadador de provas de meio fundo e fundo, como 400, 800 e 1500 livre, precisará de um volume maior de treinos para que desenvolva um bom condicionamento aeróbio preparatório.

Atletas de velocidade, por exemplo, podem trabalhar com metragens menores, dando prioridade para exercícios de técnica, palmateio e multinatação, por exemplo. 

Quando nos referimos a nadadores iniciantes, que não possuem a mesma preparação e memória muscular que atletas profissionais, Barroncas sugere um trabalho focado em fundamentos e educativos. 

“O importante é que o atleta nade melhor tecnicamente pois, dessa forma, também terá um rendimento melhor. Em alguns casos, treinos volumosos que não condizem ao condicionamento do atleta podem provocar lesões com mais facilidade.”

Preparação física e alimentação durante o treino de base

Se engana quem acha que o treino de base se refere apenas ao trabalho realizado dentro d’água. Para que o treinamento possa surtir efeito, é preciso uma ação em conjunto: natação, preparação física e alimentação.

“É importante que os treinadores compartilhem a periodização do treinamento com os preparadores físicos e médicos, para que as áreas conversem entre si,” comenta Barroncas. “O mesmo funciona para os nutricionistas; uma alimentação limitada durante os treinos de BASE pode causar uma insuficiência alimentar e o atleta não terá a combustão necessária para aguentar o treino.” 

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Nessa volta aos treinos, é importante que, em primeiro lugar, você respeite o seu corpo e limites evitando desgastes e lesões. Mantenha em mente que os treinos de base são a chave para que você possa se preparar para as competições ao longo da temporada e atingir seus objetivos.

Boa sorte e “bora” colocar a cara na água!