Nas últimas semanas, o mundo tem vivenciado uma situação até então nunca experimentada pela maioria de nós. A proliferação da Covid-19, abalou as estruturas das sociedades, as relações de trabalho e impactou também a vida de milhares de atletas com o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020 – agora 2021 – em Tóquio. Esse novo cenário exige superação.

Por isso, preparamos um post especial para você que tem sofrido com o isolamento e está preocupado com os rendimentos pós-quarentena. Hoje, contaremos alguns exemplos de atletas que superaram adversidades e conseguiram resultados excepcionais após ficarem semanas e até meses sem poder treinar.

Confira:

Superar a lesão para ir ao pódio

Fernando Scherer

O nadador velocista, mais conhecido como “Xuxa”, tem um currículo invejável. Dono de duas medalhas olímpicas e dez medalhas em Jogos Pan Americanos, Xuxa chegou a ser número 1 do mundo durante um ano nos 50 metros livre.

O que algumas pessoas não sabem, porém, é que o Scherer quase ficou de fora das Olimpíadas de Sydney em 2000. Aproximadamente um mês antes do início da competição, ele caiu da escada de sua casa, rompendo parcialmente o tendão do seu tornozelo direito.

Na época, o médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) João Granjeiro, avaliou a lesão como sendo nível dois, em uma escala de um a três. A contusão de Xuxa, afetou movimentos muito utilizados na natação que atrapalham principalmente a saída do bloco e as viradas.

O tempo esperado de cicatrização era de quatro a seis semanas. Durante o período de recuperação, o treinamento do nadador ficou comprometido e havia dúvida até se ele teria condições de competir.

Um mês depois, no dia 16 de setembro, Xuxa fez parte do revezamento histórico que conquistou a medalha de bronze nos 4 x 100 metros livre. Reza a lenda que ele quase não bateu perna durante a prova! Para

Revezamento 4x100 metros nado livre nas Olimpíadas de Sydney, em 200.
Da esquerda para direita: Edvaldo Valério, Carlos Jayme, Gustavo Borges e Fernando Scherer. Os brasileiros ficaram em 3º lugar com 3:17.40, apenas 37 centésimos a frente da Alemanha.

Xuxa nadou tão mal na eliminatória que nem o Gustavo Borges acreditou que poderia rolar uma medalha. O companheiro de seleção relembrou o episódio durante o programa “Bola da Vez”, da ESPN. Para quem quiser assistir é só clicar aqui.

Kosuke Hagino

O jovem nadador japonês é outro exemplo de superação. Em 2015, Kosuke quebrou o cotovelo em um acidente de bicicleta durante o treinamento da seleção do Japão para o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 2015. Machucado, Kosuke acabou ficando de fora de Kazan e permaneceu afastado das piscinas por meses.

Em fevereiro de 2016, seis meses antes dos Jogos Olímpicos do Rio, o nadador conquistou as suas vagas nos 200 e 400 metros medley, nos 200 livre, e no revezamento 4×200 metros livre, durante a Copa Kitajima.

Além de se classificar, Kosuke foi campeão nos 400 metros medley e conquistou a prata nos 200 metros da mesma modalidade, ficando atrás apenas de Michael Phelps. Ele ajudou também o seu país a levar o terceiro lugar no revezamento 4×200 livre, com a segunda parcial mais rápida do time.

Etiene Medeiros

A brasileira Etiene Medeiros também tem uma história incrível de superação. No início de 2018, a nadadora foi submetida a uma artroscopia para retirar um cisto sinovial.

Etiene Medeiros após cirurgia realizada em 2018.
Fonte: Arquivo pessoal/Etiene Medeiros

Após a cirurgia, a nadadora precisou ficar seis semanas afastada das piscinas, apenas fazendo fisioterapia e reabilitação. Em suas redes sociais, a pernambucana comentou que, como atleta de alto rendimento “temos que estar preparados para encarar lesões pelo decorrer do caminho.”

Apesar das mudanças e adaptações feitas no treinamento, Etiene conquistou o terceiro lugar nos 50 metros nado livre, em Hangzhou, na China. Esta foi a primeira medalha mundial da brasileira nesta prova.

Exemplo de superação: dez meses após cirurgia, Etiene Medeiros ganha medalha mundial.
Fonte: Satiro Sodré/CBDA

Dicas para a superação de momentos difíceis

Assim como tudo na vida, imprevistos acontecem. Seja uma lesão, um problema de família ou uma pandemia viral; a verdade é que não é fácil lidar com a espera e a incerteza de não saber quando tudo voltará ao normal.

É claro que as situações são diferentes, mas no fundo todas exigirão do atleta muita paciência e resiliência. Talvez você não possa estar dentro da água agora, mas você pode manter a mesma dedicação e comprometimento durante esse período com outros aspectos que são tão importantes quanto o treino na piscina:

  • Alimente-se bem
    Uma boa alimentação é fundamental para manter o seu sistema imune elevado e também para não ganhar peso com a redução do gasto de energia. Converse com o seu nutricionista e adapte a sua dieta para a nova rotina.
  • Exercite-se
    Faça algum tipo de exercício, seja trabalho de core, yoga, exercícios de prevenção, musculação ou funcional. Manter-se ativo te ajudará a retomar a forma física mais rapidamente, além de ajudar a controlar a ansiedade.

Leia também: Exercícios de core para fazer em casa

  • Pratique a visualização
    Pode parecer bobo, mas a visualização é uma técnica muito utilizada por grandes atletas para atingir seus objetivos. A campeã de Slalom nas Olimpíadas de Inverno de 2014, em Sochi Mikaela Shiffrin, declarou que sentia estar recebendo aquela medalha de ouro pela milionésima vez. A norte-americana se explicou:

“Enquanto treinava, imaginei essa competição até o momento do pódio repetidas vezes em minha cabeça.”. Mas, é claro, quando o tão esperado momento realmente aconteceu, a emoção foi bem diferente. “Tudo que imaginei nem se compara ao que eu senti de verdade”, revelou.

Mikaela Shiffrin utilizou técnicas de visualização para se preparar para Olimpíadas de Sochi.
Fonte: Photo by Fredrik Von Erichsen/Getty Images

A prática pode ser feita de diversas maneiras. Alguns atletas
visualizam suas provas do começo ao fim, prestando atenção
em detalhes como a torcida, a piscina, a sensação em estar atrás
do bloco, a saída, a virada, a ultrapassagem de um adversário e a
chegada. Quanto mais detalhes, mais vívida e “real” será a
memória arquivada em seu cérebro. Muitas pessoas até
cronometram a visualização e, pasmem, os tempo final acaba sendo
muito próximo do tempo realizado na competição.

De acordo com o neurocientista Sirini Pillay, idealizar um
movimento estimula determinadas áreas cerebrais a agirem
de acordo com a imaginação, além de melhorar o foco e a atenção.

Esperamos que a história de superação desses atletas ajudem você a se manter positivo durante a quarentena 🙂