O ano é 2016 e a nadadora Simone Manuel foi a primeira nadadora negra a ganhar uma medalha olímpica em Jogos Olímpicos na prova dos 100 metros livre. O fato que traz um simbolismo enorme para o esporte e inspiração para outras gerações é muito significante, ao mesmo tempo que, quatro anos depois, traz a reflexão que a natação ainda precisa caminhar (e muito) para ser inclusiva.

Na época, a nadadora afirmou: “Essa medalha não é só para mim, mas para todos os afro-americanos que vieram e serviram de inspiração. Espero inspirar outras pessoas: a medalha é para quem vier depois de mim no esporte”.

Sem dúvidas, foi um marco histórico. Ainda mais quando lembramos que as piscinas foram um território proibido para negros americanos por gerações: afro-americanos não podiam entrar nelas quando a segregação ainda era praticada, e, mesmo depois de ela ser abolida, brancos encontraram outras formas de mantê-los excluídos.

Mas por que a natação ainda não mostrou que é inclusiva? Vamos à alguns fatos:

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A Federação Americana de Natação estima que 70% de crianças negras não sabem nadar e que a cada dia 10 pessoas morrem afogadas no país. Além disso, a USA Swimming ressalta que a falta de diversidade no seu corpo de atletas federados é muito preocupante.

Os Estados Unidos tem uma população de 321,4 milhões de habitantes, dos quais 13.2% são negros – na federação de natação, são 339.903 membros e apenas 3942 são afro-americanos, um total de 1%.

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Simone Manuel, a primeira nadadora negra a ganhar uma medalha olímpica

No país, as imagens dos atletas negros Cullen Jones e Simone Manuel têm sido utilizadas no programa de incentivo e aumento da popularidade da natação na população negra. O programa inclui aulas de natação nas comunidades, clínicas, visitas a escolas e entidades.

Contudo, apesar de existirem programas específicos com benefícios para aumentar a prática do esporte nas classes mais baixas e áreas de maior vulnerabilidade, a simbólica medalha de Simone Manuel foi apenas um passo pequeno para que a natação seja inclusiva – nos Estados Unidos e, principalmente, no mundo.

Natação inclusiva no Brasil  

Enquanto exemplos como esse dos Estados Unidos estão caminhando, no Brasil, um país em que os negros representam mais de 54% da população, de acordo com o IBGE, se medem muito poucos esforços para fazer com que a natação seja inclusiva.

Apesar de o país ter incrementado o espaço para os nadadores negros e, a cada ano, vermos mais e mais representantes chegando ao pódio, o incentivo é muito pouco. Não existem campanhas e representantes de negros suficientes para promover a inclusão no esporte.  

Além disso, a situação é agravada pelo fato de que ser atleta de natação no Brasil, no geral, inclui questões como falta de incentivos financeiros e patrocinadores, fora dificuldade de ter acesso a instalações de boa qualidade ou até mesmo básicas para praticar o esporte. O que já é difícil para quem tem recursos para praticar o esporte, exclui ainda mais a minoria.

E, para agravar, há a questão do talento versus estímulo entre os atletas. O estereótipo de que o biotipo de negros torna mais difícil sua flutuação na água, já foi desmentido, mas ainda hoje alguns esportes são vistos como “especialidades” de algumas etnias.

Atletas negros no Brasil

Etiene Medeiros, a melhor nadadora do Brasil é negra. Foi a primeira mulher do país a conquistar uma medalha de ouro em Campeonato Mundial de Natação e em Jogos Panamericanos e é atual recordista mundial dos 50 metros costas em piscina curta. Em 2016, a nadadora voltou a colocar as mulheres na final dos 50m livre em uma Olímpiada e é um nome para ficar de olho em Tóquio 2021.

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Etiene Medeiros, a melhor nadadora do Brasil

Como destaque também, vale ressaltar a performance do atleta Gabriel Mangabeira, sexto colocado nos 100m borboeta nos Jogos Olímpicos de 2004, que foi apenas um, de apenas dois negros, a chegar a uma final de Olimpíadas na natação neste mesmo ano.  

E tem mais: quatro anos antes, o atleta Edvaldo Valério fez história na natação brasileira durante os Jogos Olímpicos de Sidney, no ano 2000, quando foi responsável por fechar o revezamento 4x100m livre e garantir a medalha de bronze ao Brasil.

Para concluir, vale ressaltar que a ausência de mais negros no pódio da natação em comparação com outros esportes já foi alvo de intensos debates.

Apesar dos pontos levantados, encerro o texto com uma frase esperançosa da primeira atleta negra a ganhar uma medalha olímpica, Simonel Manuel:

“Espero que, no futuro, haja mais de nós e não apenas a ‘Simone, a nadadora negra'”, disse ela. “O título ‘nadadora negra’ faz parecer que eu não deveria ser capaz de ganhar uma medalha de ouro ou quebrar recordes, e isso não é verdade, porque trabalhei tão duro quanto todo mundo. Quero vencer como qualquer outra pessoa.”

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